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São três ângulos no seu viver e no seu trabalho que me fascinam: ensinar, ensinar continuamente, sem querer ser professor; denunciar a torpe miséria humana que vive ao nosso lado; reconhecer o esplendor e a beleza do corpo feminino como expressão máxima de pujança da natureza.
Está sempre a nos relembrar, dadivoso, a que viemos, a não desistir da luta para acabar com a desgraça, nunca omitindo a alegria de viver. Tudo expondo através de sua multiforme obra, seja no conteúdo como na aparência, registrando por traços a vida miserável e ao mesmo tempo co-lorida de grande parte do povo brasileiro. É ininterrupto no fazer, e o faz como educador e palestrante, também pelos desenhos irreparáveis, pelas inovações técnicas, pela poesia e pelas esculturas, traduzindo nestas, mesmo angulosas, a maciez da pele das mulheres que se oferecem.
Quanto aos elementos materiais de que se utiliza, é sempre criador. Se o bronze lhe é escasso, resolve com o brutal concreto armado, que por suas mãos se torna delicado. Nada de pequenas figurinhas ampliadas ou aglomerações de variados elementos casuais no intuito de se transformar em alguma coisa. Não. É tudo naturalmente monumental, pois segue o que está dentro dele, um gigante de ta-lento, persistência, trabalho incorruptível, coerência, coragem absoluta que não transige em nenhuma circunstância.
Sua obra é ele, pois, sendo forte, tem a doçura e a delicadeza do bem querer a humanidade. Por isso recebeu sempre apoio e admiração de ricos e pobres, governantes e governados, respeito a sua obra e ao homem que ele sempre foi.
Renato Magalhães Gouvêa (2009) |
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